Comida | Islândia Brasil



COMIDA

Os islandeses passaram por muitas dificuldades e aprenderam a não desperdiçar nenhuma parte de nenhuma espécie que possa ser digerida – por isso segue o guia de algumas das mais peculiares especialidades culinárias islandesas que você encontrará no menu.

Cavalo (hestur)


A prática pagã de comer carne de cavalo foi banida pelas autoridades cristãs no século 11, mas retornaram no século 18 durante um período de fome. Não importa qual seja seu sentimento pessoal para com esses seres, é perfeitamente saudável os comer e não tem gosto ruim também. Tradicionalmente, a carne é comida como um guisado, mas é mais comum encontrá-la sendo servida bem mal-passada, até mesmo crua.

Queixos de bacalhau (gellur)


Essas iguarias do tamanho de uma noz, extraída da mais comum espécie de peixe islandês, são envoltas por uma membrana grossa e gordurosa que não se solta bem da carne macia de dentro. Você terá que comer tudo junto. É uma melhor pedida na primavera ou outono, quando o bacalhau está mais magro, apesar de que alguns dizem que com isso você está perdendo a graça da coisa.

Harðfiskur


Haddock (eglefim) seco, uma comida tipicamente islandesa por séculos, pode ser encontrado em qualquer loja de conveniência. Como W. H. Auden escreveu, "em suma, o gosto é parecido com unha de pé, e a parte mais macia se parece com aquela pele da sola do pé de alguém".

Baleia (hvalur)


A única espécie servida é a minke, uma espécie não-ameaçada de extinção, apesar de que a recente decisão islandesa de caçá-las novamente é muito controversa. O consumo cresceu graças aos turistas, que dizem "vou experimentar só uma vez pra ver como é". Assim como sashimi, parece mais assustador do que realmente é; a carne crua é de um vermelho muito vivo, quase roxo. Mesmo cozidos, os bifes de baleia são servidos muito vermelhos no meio. E o gosto? Meio que uma mistura de atum e carne de gado, bem deliciosa quando bem preparada.

Golfinho (höfrungur)


Coma desses e você provavelmente será envenenado por mercúrio. Cuidado também com os ambientalistas, que podem te jogar tomates orgânicos.

Svið


É a metade de uma cabeça de ovelha, cortada no meio e servida deitada de lado, do jeito certo para que você faça contato visual (literalmente!) com sua comida. Se você estiver dividindo, pegue as bochechas e os lábios e deixe sua companhia lidar com a pele, língua, cérebro e globo ocular. O svið também é servido frio se você preferir, e pode ser encontrado no restaurante Kjamminn no terminal de ônibus BSÍ em Reykjavík – até mesmo na janela do drive-thru!

Slátur


Sobras de partes de cordeiro, incluindo o fígado e o sangue, são picados, misturados e então costurados e cozinhados dentro do forro do estômago do cordeiro.

Hrútspungar


São os testículos de carneiro picados no soro de leite, frequentemente misturado com alho e comprimido em um tipo de bolo ou espalhado, e tem gosto de patê que passou da data de validade há muito tempo. Alguns americanos chamam isso de "ostras das Montanhas Rochosas".

Puffin / Papagaio-do-mar (lundi)


De maio até metade de agosto você provavelmente terá a oportunidade de comer o fofo mascote não-oficial da Islândia. O puffin pode ser defumado, picado, ou comido cru. Tradicionalmente é bem-passado, mas nos restaurantes normalmente é servido mal-passado. É necessário um tempo para se acostumar ao gosto misturado de ave e peixe.

Cormorão (skarfur)


Esta ave marinha tem o gosto similar ao do puffin, porém mais oleosa e com menos gosto de peixe.

Mergulhão (langvia)


A carne deste pássaro litorâneo tem o parece com carne de gado, mas o gosto se parece com o de carne de pato, com alguns tons de fígado e algas marinhas.

Ovos de fulmaríneo (fillsegg)


Esses ovos oleosos de ave marinha podem ser bons petiscos. Se você comprá-los no supermercado, tome cuidado com pintinhos semi-chocados dentro dos ovos.

Rena (hreindýr)


O Papai Noel apresentou a rena à Islândia a partir da Noruega no século 18. Todas são selvagens, e somente em torno de 300 são abatidas a cada ano; então os preços são altos. A época de caça é no final do outono, então a maioria dos turistas come a carne conservada em vácuo. Mas não há como o turista normal sentir qualquer diferença.

Skýr


Essa é a invenção culinária islandesa mais popular e deliciosa: um tipo de iogurte, bem similar ao Danoninho do Brasil. Os ligados em comidas saudáveis fora do país já estão aprendendo a apreciar o skýr. Ele se parece com uma mistura de iogurte azedo, creme fraîche, cream cheese e sorvete derretido, e é incrivelmente desprovido de gordura. É tradicionalmente feio com coalho, derivado do estômago de bezerro, mas agora é feito de forma propícia aos vegetarianos. Você poderá encontrar skýr em diferentes sabores, de todos os tipos de pequenas frutas existentes, em mercados e lojas de conveniência, em formato de shake na academia, e um formato mais líquido para comer com granola nos bufês de café da manhã.

Cachorro-quente (pylsur)


Os islandeses sabem muito bem que seus pylsur (cachorros-quentes) são os melhores do planeta, e eles os consomem em quantidades enormes – normalmente ein með öllu, ou "um com tudo". Você verá sempre o rack ondulado de metal típico que segura o cachorro-quente em qualquer posto de gasolina, enquanto você coloca ketchup, maionese e um molho laranja típico DELICIOSO (com picles picado bem fininho). Geralmente no recheio há cebolas crocantes. Mas o ingrediente-chave é o cachorro-quente em si: a adição de ovelha às tradicionais carnes de porco e gado favorece muito o sabor. Mas você provavelmente não vai querer saber como eles são feitos. Somente coma, vale a pena!

Hákarl


Esta é a comida mais famosa e nojenta da Islândia: tubarão groenlandês, cru e apodrecido. Os tubarões não possuem rins, então a ureia corre em seu sangue e a carne possui altas concentrações de ácido e amônia. Se você comer cru, você provavelmente irá morrer. Então, a carne é cortada e colocada em uma estufa de secagem a céu aberto por três meses enquanto as toxinas são drenadas. Então é pendurada para secar e curar por mais três meses. Como aperitivo, o tubarão é servido em pequenos cubos que têm a aparência e textura de queijo mussarela. O gosto é indescritível, mas pode ser comparado com óleo de motor – nada pode te preparar para tal coisa (brincadeira). De acordo com os islandeses, te dá energia. Tradicionalmente é engolido com brennivín (vinho que queima, em tradução literal), um tipo de cachaça muito forte aromatizada com raiz angélica ou semente de cariz, e conhecida afetuosamente como "Morte Negra" (svartidauði).