História: Novos Direitos e Independência | Viagens ao Extremo | Islândia Brasil


HISTÓRIA

NOVOS DIREITOS E INDEPENDÊNCIA

Domínio do País e Independência (1885-1918)


Sob os termos da Constituição de 1874, os islandeses possuíam sua própria assembleia legislativa, enquanto um dos ministros do governo dinamarquês servia como Ministro da Islândia. O papel do ministro não era somente o de ser o setor executivo do governo; era seu poder também o de decidir se as leis recebiam o consentimento real. A Suprema Corte na Dinamarca também servia como a mais alta corte de apelação para a Islândia.

(A auto-estima do Alþingi como um corpo legislativo após 1874 pode ser deduzida a partir do fato que ele teve uma Casa do Parlamento construída, pelo equivalente a um terço dos gastos normais anuais do Tesouro. O prédio está em Kirkjustræti e Austurvöllur, em Reykjavík, e ainda abriga o parlamento islandês. À esquerda está a Catedral, originalmente construída no final do século 18, à qual foi adicionada um novo andar no século 19.)

Em 1885, o Alþingi aprovou uma proposta de uma nova Constituição, propondo que os islandeses deveriam ter um vice-rei residente na Islândia, e um governo de até três ministros. Essa proposta teve, previsivelmente, negação do consentimento real, e pelas próximas duas décadas a revisão da Constituição foi a principal preocupação da política islandesa. Eram anos de governo conservador na Dinamarca, e os pedidos da Islândia eram rejeitados logo de cara.

Em 1897, Valtýr Guðmundsson, um parlamentar islandês residente em Copenhagen, ofereceu ao Alþingi uma proposta informal do Ministro Dinamarquês da Islândia, de que um ministro para a Islândia seria indicado em Copenhagen, sem outras responsabilidades ministeriais no governo dinamarquês, e que seria, provavelmente, um islandês. Valtýr argumentou a favor de um ministro que teria o tempo e o interesse de promover progresso prático na Islândia. Isso iria fazer que o ganho de maior autonomia com o passar do tempo fosse se tornar mais fácil.

(Foi em frente a este prédio - a Casa Governamental - que, em 1º de dezembro de 1918, oficiais dinamarqueses conduziram a última tarefa oficial na Islândia, uma vez que a Islândia se tornaria um país neutro sem forças armadas na independência. A atual bandeira da Islândia estava em uso desde 1915, e nesse momento se tornava a bandeira nacional.)

O parlamento foi dividido em duas facções mais ou menos iguais, uma contra e outra a favor de Valtýr. Em 1901, sua proposta foi finalmente aprovada por uma pequena margem. Mas bem nessa época, o governo conservador da Dinamarca caiu, sendo substituído por uma administração liberal, a qual ofereceu aos islandeses um ministro na Islândia, e em 1º de fevereiro de 1904 um governo foi então estabelecido lá, com um único ministro. Ele era Hannes Hafstein, poeta e líder do Partido de Domínio do País (Heimastjórnarflokkur). Nessa época o governo parlamentar foi introduzido: foi reconhecido que o ministro necessitava do apoio da maioria do parlamento. O partido dizia que todo poder legislativo e executivo sobre assuntos islandeses era contingente à autoridade parlamentar.

A época parecia certa para fazer um acordo com a Dinamarca sobre as relações dos dois países, suplantando o Ato de Status de 1871. O acordo foi feito por um comitê binacional islandês e dinamarquês em 1908, mas oponentes a este acordo, que queriam mais autonomia, venceram a maioria no parlamento, rejeitaram o acordo, e formaram um novo partido de maioria chamado Partido da Independência (Sjálfstæðisflokkur).

(Hannes Hafstein, poeta e primeiro ministro de governo da Islândia, era conhecido na época por sua beleza.)

Os anos subsequentes foram gastos em um complexo debate sobre a relação da Islândia e Dinamarca. Mas após a Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918, a autodeterminação nacional era a palavra de ordem da política europeia, e os próprios dinamarqueses tinham como alvo tomar a parte de Schleswig da Alemanha derrotada, onde se falava dinamarquês. Isso os levou a acordar com a Islândia em 1918 para que se tornassem um Estado independente, dividindo um rei e políticas internacionais com a Dinamarca. Foi declarado que a Islândia iria manter a neutralidade em todos os conflitos entre nações, e não iria possuir forças armadas. A Suprema Corte Dinamarquesa iria permanecer como a mais alta corte apelativa da Islândia até que os islandeses se decidissem pelo contrário; e de fato a Islândia teve sua própria Suprema Corte estabelecida em 1920.

Direitos das Mulheres (1850-1923)


Em meados do século 19, as mulheres tinham tão poucos direitos na Islândia quanto no resto da Europa, mas elas ganharam igualdade formal sob a lei em grande parte durante o período entre 1850 e 1923.

(Bríet Bjarnhéðinsdóttir fez sua primeira aparição em público como uma defensora das mulheres quando deu uma palestra sobre discriminação dos sexos em Reykjavík em 1887. Duas décadas depois, ela fundou a Associação dos Direitos das Mulheres da Islândia, e se tornou sua líder. Hoje ela, mais do que qualquer outra pessoa, simboliza o movimento pelos direitos das mulheres na Islândia.)

Pelos primeiros 20 a 30 anos, eram principalmente os homens, não particularmente identificados com liberalismo ou inovação, que buscavam melhorar aspectos individuais dos direitos das mulheres. Em 1847, o governo dinamarquês perguntou ao Alþingi, como era costume na época, qual nova legislação dinamarquesa eles gostariam que fosse aplicada na Islândia. Elas incluíam um novo Ato de Herança, que permanecia com a antiga tradição de que os homens possuíam o direito ao dobro da herança do que as mulheres, apesar de que agora os pais poderiam optar por direitos de herança iguais entre seus filhos e filhas. O Alþingi requisitou ao rei, de forma unânime, para aplicar essas leis à Islândia, com uma emenda dizendo que as mulheres iriam sempre possuir direitos de herança iguais aos dos homens.

O primeiro passo em direção ao sufrágio para as mulheres islandesas foi também dado por um membro rural do Alþingi. Em 1882, às mulheres que eram chefes de uma casa foi dado o direito de votar em eleições locais, pois a lei havia sido aprovada pelo parlamento no ano anterior.

Durante o próximo estágio, nas últimas duas décadas do século 19, a liderança foi tomada por homens que estavam sob a influência liberal e socialmente radical da Europa. Abaixo-assinados circularam, nos quais eram pedidos direitos de voto para as mulheres; dessa forma, os direitos nacionais de uma sociedade dominada pelos homens foram o foco desses anos. Propostas parlamentares para emendas à constituição nunca prosseguiram até o estágio no qual se dizia que o direito de votar poderia ser dado às mulheres por um simples Ato do parlamento.

(Mulheres de Reykjavík em 1915. As mulheres da Islândia geralmente consideram sua maior vitória na campanha pelos direitos femininos o direito de votar nas eleições parlamentares em 19 de junho de 1915. O evento foi celebrado em 7 de julho daquele verão, o primeiro dia que o Alþingi se reuniu após as eleições.)

As mulheres primeiramente ganharam direitos de verdade após começarem uma campanha em prol delas mesmas. Em 1894, a Associação das Mulheres da Islândia foi fundada em Reykjavík. Seu objetivo original era assegurar que as mulheres teriam o mesmo direito de estudar na universidade que seria fundada na Islândia. A associação, porém, cessou todas as atividades políticas em 1906, quando Bríet Bjarnhéðinsdóttir, editora do Jornal das Mulheres (Kvennablaðið) em Reykjavík, foi convidada para participar de uma reunião da Associação Internacional do Sufrágio das Mulheres, em Copenhagen. No ano seguinte, Bríet fundou uma organização afiliada na Islândia, a Associação dos Direitos das Mulheres da Islândia, a qual ainda existe. Bríet liderou a associação por duas décadas. Desde então ela tem sido lembrada como um símbolo daquela campanha.

Entre 1907 e 1909, a permissão para votar em eleições locais foi estendida para mulheres casadas, e em 1908 uma Lista de Mulheres nas eleições municipais de Reykjavík ganhou 22% dos votos e quatro das quinze cadeiras do conselho. Em 1911, o Alþingi aprovou uma lei sobre igualdade para homens e mulheres em todas as instituições educacionais e em elegibilidade para todos os cargos.

(A primeira mulher a ter uma cadeira no parlamento, em 1922, foi Ingibjörg H. Bjarnason, diretora da Escolha Para Mulheres de Reykjavík.)

As mulheres ganharam o direito de votar nas eleições parlamentares por uma emenda constitucional em 1915, apesar de que os direitos de voto eram confinados àquelas com mais de 40 anos de idade. Esse limite de idade seria diminuído em um ano a cada ano, mas na realidade foi abolido em 1920.

Enquanto direitos políticos foram aumentados passo a passo, leis sobre direitos pessoais das mulheres também foram formuladas, e em 1923 uma lei dava provisão para igualdade entre casais no que dizia respeito aos seus bens.

Revolução Industrial na Pesca (1902-1930)


Em 1902, um motor movido a parafina com dois cavalos de potência foi instalado em um veleiro de seis remos, Stanley, em Ísafjörður. O motor foi comprado da Dinamarca; um menino de dezesseis anos de idade o trouxe para a Islândia, instalou-o, e ensinou ao capitão Árni Gíslason como usá-lo. Esse fato marcou o início da mecanização na indústria da pesca, a qual iria revolucionar a sociedade islandesa nas primeiras três décadas do século 20, de uma maneira similar às revoluções industriais de outros países europeus. Quando o motor foi instalado no Stanley, milhares de barcos a remo estavam pescando na costa da Islândia. Em 1930, ainda existiam 170 desses, enquanto veleiros movidos a motor chegavam a mais de mil.

(O barco de seis remos Stanley prenunciou o início da mecanização na indústria da pesca, e desse modo a revolução industrial islandesa, em 1902.)

A Islândia havia primeiramente conhecido os barcos de arrasto, grandes veleiros movidos a motor que pescavam usando redes de arrasto, em torno de 1890, quando veleiros britânicos começaram a pescar em zonas pesqueiras da Islândia. Em 1899 ocorreu a primeira tentativa de operar um barco de arrasto da Islândia. Mas o sucesso com a pesca de arrasto começou em 1905 quando um grupo de islandeses comprou um barco de arrasto usado, Coot, da Escócia, e o operou a partir de Hafnarfjörður. Quando o Coot encalhou, três anos depois, outras pessoas já tinham entrado no negócio. Em 1907, a companhia de barcos de arrasto Alliance possuía um novo barco, Jón forseti (Presidente Jón, título honorário do falecido Jón Sigurðsson), construído na Grã-Bretanha. Em 1912, o número de barcos de arrasto cresceu de dez para vinte, e suas capturas de peixe resultavam em 20% do total de pescado. Antes da Depressão atingir a Islândia em 1930, o número de barcos de arrasto atingiu 41. Então a última escuna havia desaparecido dos registros de navegação.

(Selo da Islândia comemorativo ao barco de arrasto escocês Coot, o primeiro de propriedade islandesa, que ingressou na indústria da pesca do país em 1905. O Coot possuía uma tripulação de doze homens, todos islandeses, com exceção de dois engenheiros estrangeiros durante o primeiro ano.)

Durante as três primeiras décadas do século 20, as capturas de peixe da Islândia quintuplicaram, enquanto o número de pessoas empregadas na indústria pesqueira cresceu somente 50%. A maior parte da pesca consistia em bacalhau, o qual era geralmente salgado para exportação. Em alguns anos, algumas quantidades de arenques eram também salgados em barris, e transformados em óleo ou alimento.

A revolução na indústria da pesca pode ser atribuída de alguma forma ao influxo de crédito estrangeiro. O Banco Nacional da Islândia (Landsbanki Íslands), de propriedade do tesouro nacional, estava em operação desde 1886, mas não possuía fundos suficientes para financiar muitas inovações. Em 1904, um novo banco, o Banco da Islândia (Íslandsbanki), foi fundado, em sua maior parte de propriedade de acionistas dinamarqueses. O banco emprestava aos compradores de barcos de arrasto até metade do preço de compra dos veleiros.

(O mais antigo navio com quilha de aço da Islândia que ainda existe, o barco de arrasto Garðar, construído na Noruega em 1912 e que hoje tem 99 anos de idade. Foi encalhado propositalmente no final do Patreksfjörður em 1981 para ser preservado, deve ser restaurado em breve.)

A revolução na indústria da pesca da Islândia não poderia, de forma alguma, ter acontecido muito mais cedo do que aconteceu, uma vez que era baseada em avanços técnicos. A rede de arrasto não era de uso comum em nenhum lugar até em torno de 1880. O motor de combustão interna, por sua vez, não era usado em lugar algum em veleiros de pesca até em torno de 1900.

A expansão da pesca levou a uma transformação na sociedade como um todo. Comunicações por telégrafo com outros países foram estabelecidas em 1906. O ensino fundamental obrigatório para todos foi introduzido em 1907. Uma universidade foi fundada em Reykjavík em 1911. Logo após 1920, a população urbana era maior do que a rural. A população de Reykjavík era, nessa época, de aproximadamente 20 mil. Após 1915, a cidade havia sido construída com prédios de concreto levantadas em ruas retas e planejadas, incluindo calçadas que abrigavam abaixo canos de água e esgoto. A eletricidade, proveniente de hidrelétricas, era levada aos prédios nos maiores centros urbanos.

Início do Movimento Sindicalista (1894-1938)


Uma das consequências da revolução econômica foi a evolução de um movimento sindicalista organizado. Nas últimas décadas do século 19, trabalhadores qualificados em Reykjavík tinham por várias vezes tentado fundar sindicatos, mas a história contínua da atividade sindical na Islândia começa em 1894, quando donos de escunas da área de Reykjavík formaram uma associação para tentar cortar os salários dos marinheiros, os quais responderam por formar sua própria organização, o Báran (A Onda). Os capitães comprometeram-se a meditar, e os primeiros acordos salariais na Islândia foram assinados. Nos anos subsequentes, mais células do Báran foram fundadas em outras comunidades.

(A pequena cidade de Seyðisfjörður, no leste da Islândia, onde um sindicato de trabalhadores foi fundado em 1897, talvez a primeira associação de trabalhadores não-qualificados rurais na Islândia. Mas ele não durou muito.)

Em 1906, um novo movimento surgiu entre sindicalistas do comércio em Reykjavík, com a fundação do sindicato dos trabalhadores Dagsbrún (Aurora). Por décadas sendo a principal força no movimento sindicalista islandês, recentemente ele se fundiu com outros sindicatos. Entre 1906 e 1907, o número de sindicatos cresceu rapidamente. E isso teve uma repercussão de muitos anos, sem dúvida em parte por causa do fato de que a campanha pela independência da Islândia estava muito aquecida nessa época, e a maioria dos islandeses queria ver a nação como um todo unido contra os dinamarqueses. Foi muito favorável para o desenvolvimento do movimento sindicalista quando em 1913 um empreiteiro dinamarquês empregado na construção do Porto de Reykjavík se recusou a pagar seus empregados de acordo com os preços fixados pelo Dagsbrún com os empregadores. Os trabalhadores começaram uma greve de dois meses de duração, que só terminou com sua vitória.

As mulheres não foram incluídas nos primeiros sindicatos, mas em 1914 um sindicato de trabalhadoras foi fundado em Reykjavík. Chamado de Framsókn (Progresso), o sindicato continuou a existir até se fundir com o Dagsbrún no final do século. Em 1915, o Sindicato dos Marinheiros de Reykjavík (Hásetafélag Reykjavíkur) foi fundado. O sindicato manteve uma greve de duas semanas da frota de barcos de arrasto no ano seguinte. No mesmo ano, em 12 de março de 1916, sete sindicatos fundaram uma federação nacional, a Federação Islandesa do Trabalho (Alþýðusamband Íslands), a qual ainda representa o movimento sindicalista como um todo no mercado geral de trabalho.

(Uma rua de Reykjavík na mesma época em que os sindicatos de trabalhadores de Reykjavík fizeram sua primeira marcha de protesto, em 1º de maio de 1923.)

Os empregadores não estabeleceram uma federação formal até 1934, quando formaram a Confederação dos Empregadores Islandeses (Vinnuveitendasamband Íslands, agora chamado Samtök atvinnulífsins). Muito antes disso, entretanto, os empregadores negociavam em conjunto com os trabalhadores, e em 1925 o legislativo reconheceu as disputas trabalhistas de facto por aprovar uma lei sobre mediação.

Uma legislação mais acessível sobre os sindicatos e disputas trabalhistas foi feita em 1938. Ela legalizou as disputas trabalhistas, e formalmente reconheceu o movimento sindicalista como um participante no sistema de governo. Nessa época quase todos os trabalhadores islandeses faziam parte de sindicatos. Os empregados do governo nacional ou local também formaram suas próprias associações de empregados.

Um Novo Sistema Político-Partidário (1916-2000)


O período de domínio do país, de 1904 a 1918, viu o surgimento de dois partidos políticos cujas principais diferenças diziam respeito aos meios de trazer mais poder para a Islândia contra os dinamarqueses. Após o tratado de 1918, essa divisão partidária se tornou obsoleta, enquanto partidos baseados em divisões de classes ganharam apoio. A Federação Trabalhista (Alþýðusamband Íslands), fundada em 1916, também funcionava como um partido político, sob o nome de Partido Trabalhista (Alþýðuflokkur).

(O sistema político-partidário islandês em comparação com os da Escandinávia, especialmente da Dinamarca e da Noruega. O apoio proporcional aos partidos naturalmente variou mais do que o indicado aqui. Na Dinamarca e na Noruega, o diagrama é baseado no resultado das eleições de 1936 e 1939.)

O próximo partido foi formado por representantes da classe dos fazendeiros no Alþingi no final de 1916 sob o nome de Partido Progressista (Framsóknarflokkur). Além de ser um partido agrário que apoiava o movimento cooperativista, o partido tinha a intenção de ser um partido centro-liberal, similar ao Partido Liberal Britânico, ou Venstre na Dinamarca.

Nos anos subsequentes os antigos partidos da época do Domínio do País evoluíram em um partido urbano de direita, o qual também possuía apoio ruralista considerável. Em 1929, esses partidos finalmente se fundiram em um novo Partido da Independência (Sjálfstæðisflokkur), o qual tem sido o maior partido político islandês desde então, e reuniu apoio de todas as classes.

(Jónas Jónsson de Hrifla foi um dos políticos mais influentes da Islândia na primeira metade do século 20. Ele participou da fundação do Partido Trabalhista em 1916, e do Partido Progressista no ano seguinte. Mais tarde ele liderou este partido, e foi um controverso Ministro da Justiça e da Educação entre 1927 e 1932.)

A posição forte do partido era devida em parte ao fato de que ele era a junção dos dois partidos mais antigos, mas também porque faltava à esquerda um partido claro de liderança. Nos anos 1920, os social-democratas e os comunistas conviviam de forma não muito pacífica com o Partido Trabalhista; isso terminou com a fundação do Partido Comunista Islandês (Kommúnistaflokkur) em 1930. Essa rixa entre os partidos de trabalhadores foi naturalmente vista como motivo do enfraquecimento do movimento trabalhista durante a Depressão dos anos 1930. Uma tentativa foi feita para unir os partidos. Ela foi, entretanto, fracassada, mas o Partido Comunista se fundiu com uma facção do Partido Trabalhista, formando o Partido Socialista (Sósíalistaflokkur) em 1938. Já na próxima eleição, o Partido Socialista teve mais apoio que o Partido Trabalhista. Logo após isso, os laços formais entre o Partido Trabalhista e a Federação Trabalhista foram abolidos.

(O Partido da Independência sempre teve mais apoio dos marinheiros e dos trabalhadores do que os partidos de direita em outros países nórdicos. Observando-se desse modo, ele faz lembrar o Partido Conservador Britânico. O líder do partido era Ólafur Thors.)

O Partido Socialista, que lealmente seguia a linha soviética, se encontrou em uma situação difícil durante o período da Guerra Fria. Então o Partido Trabalhista teve a infelicidade de se dividir novamente, perdendo alguns de seus membros, que passaram a colaborar com os socialistas. Eles fizeram campanha em conjunto para as eleições sob o nome de Aliança do Povo (Alþýðubandalag), e fundaram um partido de mesmo nome em 1968. Em 2000, o Partido Trabalhista, a Aliança do Povo e a Aliança das Mulheres se fundiram em um novo partido, a Aliança (Samfylkingin). Mas ao mesmo tempo, um novo partido de esquerda apareceu, o Movimento Verde de Esquerda (Vinstrihreyfingin - grænt framboð), então a esquerda estava mais perto da união do que antes.

O apoio aos partidos tem permanecido incrivelmente estável. O Partido da Independência recebe geralmente em torno de 40% dos votos, o Partido Progressista em torno de 25%, o Partido Trabalhista em torno de 15%, e o Partido Socialista / Aliança do Povo entre 15% a 20%. Nos anos 1930, o Partido Progressista era sem dúvida o maior partido no parlamento, uma vez que tinha o maior apoio nas zonas rurais, as quais eram proporcionalmente muito representadas.

Guerra, Ocupação e a República (1939-1944)


Quando a Segunda Guerra Mundial estourou em setembro de 1939, os islandeses apostaram na confiança em sua neutralidade e localização remota para se verem livres das hostilidades. Mesmo após a ocupação alemã da Dinamarca em abril de 1940, a Islândia rejeitou as ofertas britânicas de defesa militar.

(Vista aérea de Reykjavík feita pela Força Aérea Real britânica, na época da Segunda Guerra Mundial.)

Nessa época os britânicos sentiram que havia chegado o momento de pararem de levar a sério os protestos de neutralidade. Um mês após a ocupação da Dinamarca, em 10 de maio, forças navais britânicas chegaram para ocupar o país. Não houve resistência, e sem dúvida mais de 90% da nação ficou aliviada pelo fato de as forças de ocupação serem britânicas e não alemãs. Em 1941, os britânicos fizeram um acordo entre a Islândia e os Estados Unidos, no qual constava que os americanos ficariam encarregados pela defesa da Islândia. As forças americanas chegaram à Islândia em 7 de julho de 1941. Isso ocorreu antes de os Estados Unidos ingressarem formalmente na guerra, e foi o exemplo mais claro da violação americana à neutralidade nominal na época.

O número de soldados britânicos na Islândia totalizava em torno de 25 mil, e forças americanas em torno de 60 mil. Ambos começaram projetos de construção maiores do que qualquer outro que já havia sido visto na Islândia. Bases aéreas foram construídas, por exemplo, em Reykjavík pelos britânicos, e pelos americanos, próximo ao vilarejo pesqueiro de Keflavík. Os militares precisavam empregar muitos islandeses nestes projetos, e o desemprego, que era um grande problema desde 1930, deu lugar à falta de mão-de-obra. Ao mesmo tempo, devido à demanda relacionada com a guerra, os preços subiram muito, tanto em bens importados quanto no peixe que os islandeses exportavam. Isso levou a um período de grande expansão com altas taxas de inflação (de até 30% ao ano), e um padrão de vida maior do que em qualquer outro período que a Islândia havia vivido.

(Celebrações da fundação da República moderna em Þingvellir, em 17 de junho de 1944. Exatamente neste local, sob o brasão nacional, o parlamento está em sessão. As bandeiras ao vento e os guarda-chuvas presentes na foto mostram como o tempo estava naquele dia.)

Quando a Dinamarca foi ocupada em 1940, o Alþingi aprovou uma resolução na qual o rei não poderia mais comandar a Islândia, e alocava poderes reais ao governo. Um ano depois, um vice-rei foi eleito para exercer as funções do rei. Sveinn Björnsson, o emissário islandês em Copenhagen, foi eleito para o cargo. Os termos do Tratado de 1918 proviam que esta decisão poderia ser derrogada tanto pela Dinamarca quanto pela Islândia, e que também iria expirar em 1943.

Nessa época, a maioria dos políticos islandeses sentia que os laços com a Dinamarca deveriam ser cortados de uma vez, em 1942, uma vez que os dinamarqueses não estavam em condições de cumprirem com sua parte do tratado. Outros sentiam que tal atitude não seria digna de honra - cortar laços com a Dinamarca enquanto os dinamarqueses se encontravam sob ocupação estrangeira. Os Estados Unidos e o Reino Unido também se opunham à ideia, uma vez que temiam que a propaganda alemã os acusaria de estarem incitando os islandeses a repudiarem seu tratado com os dinamarqueses. Mas então uma decisão foi tomada: de descartar o tratado, e de fundar uma república na Islândia após o final de 1943, independentemente da situação da Dinamarca na época.

(Sveinn Björnsson foi o primeiro emissário da Islândia em Copenhagen, entre 1920 a 1924 e entre 1926 a 1941. Ele foi o vice-rei da Islândia entre 1941 a 1944, e então presidente até sua morte, em 1952.)

Em maio de 1944, a quebra do tratado foi confirmada por um plebiscito, no qual 98,6% do eleitorado votou a favor, e meras 377 pessoas, 0,5%, votaram contra. No aniversário de Jón Sigurðsson, 17 de junho, a República da Islândia foi fundada em uma cerimônia em Þingvellir, assistida por um quinto da população islandesa, sob uma chuva memorável. Naquela ocasião, o parlamento elegeu Sveinn Björnsson para ser o primeiro e provisional presidente da república, uma vez que não havia tempo para eleições diretas para a presidência. Desde então, 17 de junho é o dia nacional da Islândia.