O que é a Islândia? | Islândia Brasil



O QUE É A ISLÂNDIA?

É difícil não se deixar emocionar pela impressionante diversidade da paisagem islandesa. Ao contrário do que a maioria pensa, a Islândia não é uma ilha completamente coberta de gelo, tampouco somente uma mera paisagem lunar feita de lava onde sopra um vento constante sobre a tundra. Essas paisagens existem, claro, mas também existem grande fiordes, fazendas cujo verde do pasto chega a doer nos olhos, vales cavados pelas geleiras, poças de lama que fervem (literalmente!) e um vasto e frio deserto no interior, praticamente desabitado.

A superfície em si


A Islândia fica no que se chama de dorsal meso-atlântica, uma cadeia de montanhas submarinas gigantesca de 18 mil quilômetros de comprimento, no meio das duas maiores placas tectônicas do mundo. Ir para a Islândia é como estar em um laboratório de geologia. É possível caminhar na fissura entre as placas tectônicas da Europa e da América. Logo você se lembrará das aulas que teve na escola há muito tempo: como funcionam os vulcões, como montanhas glaciais se formam e qual a diferença entre lava e magma.

O país possui 22 vulcões ativos, 250 áreas geotermais, 780 fontes quentes e a terceira maior geleira do mundo (depois da Antártica e da Groenlândia), é uma vasta biblioteca de informações para cientistas e um grande parque de diversões para os turistas. A Islândia possui mais ou menos o mesmo tamanho que a Inglaterra, mas com uma população de somente 320 mil pessoas (se comparados com os 51 milhões de habitantes da Inglaterra), espalhados ao redor do litoral.

Para além do litoral habitável do país fica um deserto gelado e inóspito que cobre metade do país. Além disso, outros 15% do país são tomados pelas geleiras. Adicione ainda campos de lava e alguns sandar (planícies de areia glacial), salpicada com gêiseres, fumarolas e fontes quentes naturais, e você conseguirá ter uma ideia do que é a ilha em geral.

A Islândia não é bem um país Ártico – o ponto mais ao norte do país termina pouco antes de chegar ao Círculo Polar Ártico. Para cruzar essa linha imaginária, é preciso viajar para a ilha de Grímsey, o único pedaço da Islândia em território ártico de verdade.

A Islândia é um país novinho se formos levar em conta os termos geológicos: o mais novo da Europa, formado por erupções vulcânicas submarinas na já mencionada junção das placas tectônicas, entre 17 a 20 milhões de anos atrás. Essas duas enormes placas criam uma falha no centro da Islândia, que corta o país de norte a sul.

A crosta terrestre na Islândia possui somente um terço de seu tamanho normal, e o magma (rocha derretida) flui continuamente debaixo da superfície, forçando as duas placas tectônicas a se separarem cada vez mais. O resultado disso pode ser visto muito bem no Parque Nacional Þingvellir, onde a divisão aumenta entre 1 a 18 milímetros por ano e em Námafjall, onde uma série de chaminés naturais demarcam a divisão das placas.

Além de serem atrativo para os turistas, as características geológicas que tanto chamam a atenção na Islândia também possuem suas utilidades práticas: ao ligar qualquer chuveiro, água quente natural sairá instantaneamente (mas quando for escovar os dentes, você terá que esperar a água esfriar). Todo esse aquecimento natural é utilizado para prover eletricidade barata e limpa, aquecer prédios e piscinas, e até mesmo para derreter o gelo das calçadas de Reykjavík no inverno.

As famosas geleiras


As geleiras cobrem cerca de 15% da Islândia, muitas das quais ainda são remanescentes de um período gelado que começou há 2.500 anos atrás. As geleiras se formam à medida que a neve cai no topo das montanhas por milhares de anos em um local onde nunca é quente o suficiente para que ela derreta. O peso da neve faz com que ela gradativamente se compacte na forma de gelo, acabando por pressionar a terra debaixo do gelo e permitindo que o gelo literalmente caminhe pouco a pouco, criando a ponta da geleira que normalmente é visitada pelos turistas.

Esses rios de gelo que se movem lentamente esculpiram naturalmente muito da paisagem islandesa desde sua criação, formando vales glaciais e enormes fiordes que hoje estampam os cartões postais e fotos de todos que para lá vão.

A maior geleira é Vatnajökull, no sudeste, que cobre quase 13% do país e é a terceira maior do mundo. Outras grandes geleiras são Mýrdalsjökull no sudoeste, e Langjökull e Hofsjökull nas highlands (centro do país).

Uma olhada rápida sobre as regiões da Islândia


A Islândia é o país de menor densidade populacional da Europa. São 320 mil habitantes, e dois terços deles vivem na área de Reykjavík, e a segunda maior cidade fora dessa zona – Akureyri, na costa norte – possui somente 17 mil habitantes. A maioria dos islandeses mora perto do litoral, uma vez que o interior (highlands) não passa de um deserto gelado, impenetrável no inverno.

A Rota 1, conhecida como "Rodovia do Anel", circula a ilha inteira mas não chega até a região dos Fiordes do Oeste e muitas outras cidades do litoral. Assim, em sequência, temos os principais pontos de interesse na Islândia:

Reykjavík e região: a maioria dos islandeses reside na ponta sudoeste da ilha. Reykjavík, a charmosa capital, se tornou internacionalmente conhecida nos últimos 25 anos, se tornando até mesmo uma cidade cosmopolita criadora de tendências no mundo da música e vida noturna. O centro da cidade pode ser atravessado à pé em 30 minutos, mas o desenvolvimento urbano acabou absorvendo as cidades vizinhas, como Kópavogur e Hafnarfjörður.

Saindo de Reykjavík, muitos visitantes fazem o passeio de dia inteiro chamado Golden Circle (Círculo de Ouro) para a cachoeira Gullfoss, para a região geotermal de Geysir (é por causa desse lugar que todos os outros gêiseres do mundo são chamados assim) e para o Parque Nacional Þingvellir, onde o primeiro parlamento islandês se reuniu no ano 930.

O Aeroporto Internacional de Keflavík, a porta de entrada para a maioria dos turistas estrangeiros, fica na Península Reykjanes, a sudoeste de Reykjavík. A paisagem desolada e construída por lava da península possui vários locais interessantes, incluindo a atração turística mais popular da Islândia, o spa da Lagoa Azul (Blue Lagoon).

Oeste: ao norte de Reykjavík, a Península Snæfellsnes é conhecida por ser ótimo lugar para avistar baleias, passeios na geleira e um litoral recortado lindíssimo. Também no oeste fica a região menos habitada da Islândia, os Fiordes do Oeste, com penhascos à beira-mar cheios de pássaros aninhados e pitorescos vilarejos, é uma região injustamente negligenciada pelos turistas.

Norte: o norte é ancorado por Akureyri, a "segunda cidade" da Islândia. A cidade de Húsavík, a uma hora de distância para o leste, é o melhor porto para avistar baleias em todo o país. A região ao redor do Lago Mývatn possui estranhas formações geológicas, poças de lama que fervem, além de ser ótimo local para se avistar pássaros. Para caminhadas, o melhor local é o parque de cânions de Jökulsárgljúfur.

Sul: o sul da Islândia é cheio de atrações e possui uma das melhores viagens que se pode fazer em automóvel do mundo. Landmannalaugar, Þórsmörk e Skaftafell são áreas supremas de caminhada ecológica. Os impressionantes abismos à beira-mar das Ilhas Vestmannaeyjar são perfeitos para ver o pássaro característico do país, o puffin (papagaio-do-mar), e Heimaey, a ilha principal, tem metade de sua área coberta por lava de uma erupção devastadora que ocorreu em 1973. A cidade litorânea de Vík possui locais de caminhada na beirada dos abismos e praias de areia negra. Mais ao leste fica a atração à beira da estrada mais conhecida da Islândia: Jökulsárlón, um lago surreal de icebergs desprendidos de uma geleira.

Leste: a maior geleira da Europa, Vatnajökull, é o ponto principal do sudeste da Islândia. Passeios pela geleira saem frequentemente da cidade vizinha de Höfn. Mais ao norte, Egilsstaðir é o pólo principal para negócios e transporte da região. Barcos para o resto da Europa saem do porto de Seyðisfjörður, a cidade mais bonita dos Fiordes do Leste.

Interior: desolado e com paisagens de outro mundo, o interior é uma aventura inesquecível. Na cratera de Askja você pode nadar em um lago vulcânico de água morna, e em Kverkfjöll há formações de gelo bizarras formadas pelas fontes quentes que emergem da geleira Vatnajökull.